Multipropriedade: a semana de sonho que virou dívida de dez anos
A Folha de Curitiba publicou, em 29 de setembro de 2026, matéria sobre o litígio de multipropriedade no litoral catarinense e a atuação do escritório na defesa de consumidores. O texto é assinado pela jornalista Marcella Zorzo.
A reportagem parte da forma como esses contratos são vendidos — em apresentações de noventa minutos, durante a viagem, com promessa de lazer garantido e de renda com o aluguel da fração — e acompanha o que veio depois: obras atrasadas, taxa de manutenção cobrada sobre imóvel que não existe, e cláusulas de saída que retêm metade do valor pago.
“O contrato de multipropriedade é vendido no momento de maior fragilidade do consumidor, que é o momento de lazer. A pessoa está de férias, relaxada, foi levada a uma sala com café e apresentação, e assina um contrato de dez anos em noventa minutos.”
A matéria também trata do percurso profissional que levou o escritório a esse tipo de causa: dezessete anos de assessoria a indústrias, construtoras e incorporadoras, e o conhecimento de como esses contratos são redigidos agora aplicado do lado de quem comprou.
Ao fim, a reportagem reúne a orientação prática que costuma abrir os atendimentos — guardar o material publicitário, os comprovantes de pagamento e o extrato do saldo devedor, e não assinar nada sob pressão, nem na compra nem na saída.
Leia a matéria completa na Folha de Curitiba
Publicado originalmente na Folha de Curitiba em 29/09/2026, por Marcella Zorzo. Reprodução parcial, com remissão à íntegra no veículo de origem.
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Você sabia que pode parar de pagar e ainda ser indenizado? O caso Hard Rock Fortaleza e os direitos dos compradores lesados
O caso Hard Rock Fortaleza e os direitos dos compradores lesados
Nos últimos anos, o Hard Rock Hotel Fortaleza se tornou um dos empreendimentos mais comentados do mercado imobiliário brasileiro — e também um dos mais questionados judicialmente.
Anunciado como uma oportunidade de investimento inovadora, com promessa de alto retorno e valorização, o projeto atraiu centenas de consumidores em todo o país.
No entanto, a realidade é outra: obras paradas, atraso na entrega, mudanças contratuais e cobrança contínua de taxas e mensalidades têm gerado prejuízos significativos a compradores e investidores.
Mas o que muitos não sabem é que quem comprou uma fração no Hard Rock Fortaleza não é obrigado a continuar pagando — e, em diversos casos, pode exigir a devolução integral dos valores pagos, além de indenização por danos morais e materiais.
Quando o consumidor pode parar de pagar?
A relação entre o comprador e o incorporador é regida pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC).
Isso significa que, em casos de atraso injustificado, descumprimento contratual ou suspensão das obras, o consumidor não pode ser penalizado.
O entendimento consolidado pelos tribunais é claro:
“O risco do empreendimento é da incorporadora, não do comprador.”
Assim, quando o projeto deixa de cumprir o cronograma prometido, o comprador pode:
✅ Solicitar a suspensão imediata das cobranças, incluindo parcelas, IPTU e taxas de manutenção;
✅ Exigir a devolução total dos valores pagos, com juros, correção monetária e multa contratual;
✅ Pleitear indenização por danos morais e materiais, pelo desgaste, frustração e prejuízo financeiro.
Em muitos casos, os contratos continuam sendo cobrados mesmo sem qualquer avanço nas obras — situação que configura prática abusiva e desequilíbrio contratual.
Responsabilidade e direito à reparação
O atraso ou paralisação das obras não é um risco compartilhado.
A empresa incorporadora assume a obrigação de concluir o empreendimento e entregar o produto conforme prometido.
Quando isso não ocorre, o consumidor não deve ser obrigado a continuar financiando um projeto inexistente.
A jurisprudência brasileira reconhece que a desistência motivada por descumprimento contratual deve garantir a restituição integral dos valores pagos — e não apenas uma parte, como alguns contratos preveem.
Além disso, o comprador pode pleitear danos morais pelo abalo emocional e pela frustração de expectativas, principalmente quando o empreendimento era anunciado como investimento seguro ou promessa de uso turístico.
O que fazer a partir de agora?
Se você adquiriu uma fração no Hard Rock Fortaleza, é essencial buscar orientação jurídica especializada.
Cada contrato possui cláusulas específicas e cada caso precisa ser analisado individualmente, considerando:
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Situação atual da obra e do contrato;
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Histórico de pagamentos;
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Possibilidade de rescisão sem ônus;
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Valores passíveis de restituição e indenização.
O primeiro passo é suspender as cobranças indevidas e garantir que seus direitos sejam preservados.
Ignorar a situação pode significar continuar pagando por algo que talvez nunca seja entregue.
Conclusão
A demora na entrega e a incerteza sobre a continuidade do projeto Hard Rock Fortaleza não anulam os direitos dos compradores.
Pelo contrário — reforçam a necessidade de ação jurídica imediata.
A lei está do lado do consumidor que age com base na boa-fé e na confiança legítima.
E, nesse caso, a Justiça tem sido clara: quem não recebeu o que foi prometido, não deve pagar — e pode ser indenizado.
Surfland Brasil enfrenta mais de 300 ações de investidores após atrasar obra em Garopaba
O escritório Tácio Camargo Advogados Associados, que atualmente representa mais de 50 cotistas em ações contra a Surfland, relata que as queixas se concentram em três pontos principais: atraso na entrega, postura inflexível da empresa nos pedidos de distrato e ausência de clareza contratual sobre os prazos de conclusão do empreendimento.
Além de advogado, Tácio Camargo é também cotista do Surfland. Ele conta que adquiriu duas cotas no empreendimento com a expectativa de utilizá-las já em 2023, tanto para lazer quanto como possível fonte de receita com aluguel das frações. No entanto, com o não cumprimento da previsão de entrega e a falta de alternativas de solução apresentadas pela empresa, optou por entrar na Justiça. Sua primeira ação foi protocolada em novembro de 2023.
Comprou uma fração da Surfland? Veja como proteger seus direitos e até ser indenizado
O empreendimento Surfland Brasil Garopaba se tornou um dos mais comentados do mercado imobiliário de multipropriedades nos últimos anos. Com promessas de um resort de luxo com piscinas de ondas, experiências exclusivas e retorno financeiro atrativo, milhares de consumidores adquiriram frações imobiliárias acreditando no sucesso do projeto. No entanto, a realidade de muitos desses compradores tem sido marcada por frustração, atrasos e prejuízos.
Se você está entre aqueles que compraram uma cota da Surfland, ainda está pagando ou já quitou o contrato, este artigo é para você. Saiba que existem caminhos jurídicos para proteger seu patrimônio, buscar justiça e, inclusive, suspender os pagamentos, anular penalidades abusivas, ou até ser indenizado pelos danos sofridos.
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